quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Último dia do ano, e a chuva chove limpando o mundo pro ano que vem. Aproveito enquanto é novo o ano novo, desejando que os dias e meses sejam suaves como uma voz bem baixinha falando devagar sobre coisas boas.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Brasília

Não moro aqui. Cada móvel, cada detalhe sempre igual remete a tudo novamente. Pela janela, a cidade de tantos anos. Conforto e estranhamento coabitam um corpo confuso. Nos cantos da casa devem estar os momentos que precisam ser resgatados para entender o que acontece.

domingo, 20 de dezembro de 2009

O verde da árvore também pinta a capa de um livro que gosto. O azul da parede é o mesmo do mar, do céu, da blusa bonita e do pingente. Uma mulher cega falou sobre sua cor preferida, o amarelo. Me deu um negócio... Como o cotidiano limita o modo como se experimenta o mundo. Quero também viver as cores para além da visão.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O dia chegou e foi passando. Eu fui vendo passar o dia sem me esforçar para interagir com ele. Sentada no sofá, vendo o dia passar, vi coisas que não vejo quando estou tão misturada nele.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009


Gosto de acordar cedinho, cedinho. Beber o café é abrir, gole a gole, a garganta e o dia. Tem o pão de queijo também, mas não é algo tão insubstituível. E então corre o dia todo entre cafés, momentos sempre idealizados como se fossem exatamente o que faltava. Nunca é. Mas tomar um cafezinho acaba aliviando a tensão de não saber a grande solução. Planejar cada dia de férias a cada manhã é um exercício de criatividade. Durante o ano é o dia que me planeja e só me resta cumprir tarefas. Agora posso inventá-las. Ontem eu inventei a tarefa de comer pizza de três sabores: abobrinha com tomate seco, presunto com palmito e brócolis com champignon. Hoje quero lavar roupa, comer macarrão e ir para a praia! Amanhã eu ainda não sei, mas se fizer sol é praia. Em uma trilha traço o rumo de uma tarde preguiçosa. Primeiro é subida, suor, sede e pedras traiçoeiras bailarinas. Lá do topo vejo o que ficou embaixo: o mar. Vontade de descer rolando num mergulho direto. Praias pequenas aconchegam amigos que conversam entre mergulhos.

Ainda no repeat

Linda mesmo a música. Com ela no fundo fica tudo mansinho, devagar; surgem várias coisas que não tinham espaço no meio de tantos dias turbulentos barulhentos. Se a respiração continua mesmo quando dormimos, se o ar entra e sai involuntariamente, então o corpo sabe funcionar sozinho. Posso dormir tranqüila agora. Tranqüila com trema, enquanto for permitido.
O olho pesa sem querer dormir. Está cansado de ver, guiar e ser guiado. Sem pendências, busca algo para solucionar – se acostumou a procurar erros em tantos problemas inventados. Não sabe mais olhar somente, olhar pra ver. Daí cansa mas não quer dormir, quer ficar olhando. Pára e olha então. Olha que bonito o óculos na mesa...lá na ponta, distante. Suas lentes abrem o mundo: como as árvores têm folhas tão delineadas pousando em prédios de paredes tão retas! Em cada cena, põe detalhes em foco. Lente límpida amiga de olhos insuficientes. Não agora... Longe ali no canto não permite ser nítida.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Música no repeat

Ouvindo o piano da música que toca no ouvido e no corpo, tão pianinho. Que voz macia a da moça que canta; dança a caneta no papel rabiscando qualquer linha torta junto com a melodia. Vira um desenho feio até, mas não importa ele em si, só o fato de ele ter sido a dança daquele som.

Segunda-feira

Travesseiro de manhã é imã de cabeça, o corpo pesa e afunda na cama que afunda junto bem macia. Daí pra frente são minutos de função soneca entre promessas infundadas de levantar. Vontade de esperar que chegue sábado e colocar o despertador (desespertador) para às seis só pra acordar-desligar-dormir. O prazer único da preguicinha...

Domingo

Domingo é o dia de preparar tudo para uma semana perfeita que depois sai toda errada. Isso porque os preparativos se restringem a planos no papel e cedem lugar a qualquer ócio, mesmo o mais desinteressante. Próximo domingo tudo vai ser diferente.
Férias é assim. Sem precisar fazer nada, só resta fazer o que se quer fazer. E agora?